TRI: o que é a escala de habilidades?
Luísa França mar 19, 2015

TRI: o que é a escala de habilidades?

Como discutimos no último post, o objetivo de um teste é medir a habilidade de um aluno em um determinado tema. Vimos também que o principal avanço da TRI (Teoria de Resposta ao Item) é que ela consegue medir essa habilidade em uma escala independente do teste, ou seja, podemos comparar a “nota” de pessoas que fizeram provas diferentes. Mas, o que é uma escala de habilidade?

Vamos voltar um pouco e entender melhor o que é essa escala de habilidade. As pessoas têm características, por exemplo: peso, altura, força física, conhecimento de história, habilidade em matemática, etc. Algumas dessas características são facilmente mensuráveis, como o peso e a altura. Basta pegar uma trena ou uma balança e fazer a medição. Outras são mais difíceis de serem mensuradas. Não é possível observar diretamente o conhecimento de história de uma pessoa, ou suas habilidades em matemática ou química. Não podemos simplesmente pegar uma régua e medi-los. Essas características são chamadas de traços latentes, ou seja, que não são observáveis. Como não podemos medir essas características diretamente, só podemos estimá-las, em outras palavras, tentar aproximar seu valor com base em outras medições. No caso da TRI, vamos utilizar as respostas de um indivíduo a diversos itens (questões) para tentar estimar sua habilidade.

Bom, entendemos o que é habilidade, mas o que é uma escala de habilidade? Quando medimos a altura de uma pessoa, costumamos usar centímetros ou metros. Nos EUA, eles utilizam pés como unidade de altura. Se eu disser que uma pessoa mede 1,78 m e que outra tem 5’11 pés, não sabemos dizer qual é mais alta, a menos que convertamos as duas medidas para a mesma unidade ou escala. Para que as notas dos alunos sejam comparáveis, mesmo se tiverem feito provas diferentes, é preciso que as notas estejam sempre na mesma escala. Como já vimos, o que a TRI faz é justamente isso, ela estima a habilidade dos alunos em uma mesma escala, mesmo que eles tenham sido submetidos a diferentes testes.

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A escala pode assumir diferentes formas, mas do jeito que foi criada para o ENEM (veja neste ebook gratuito dicas de preparação para a prova), o INEP utilizou os seguintes critérios: a média das habilidades (em cada área do conhecimento) da população utilizada na construção da escala era 500, e a medida de dispersão dessa habilidade era 100. Ou seja, cada 100 pontos para cima ou para baixo dessa média representam um desvio padrão*.

Essa escala não possui valor máximo ou mínimo. Portanto, não é verdade que a nota mínima de um aluno pode ser 0 e a nota máxima 1000. Na teoria, é possível alguém ter uma habilidade 1200 ou -100, por exemplo. O que é levado em conta é a média e o quanto essa pessoa se distancia da média. Se a média é 500 e essa pessoa se distancia positivamente 600 pontos dessa média, sua habilidade será 1100. Na prática, isso raramente acontece devido ao número de pessoas e questões que são utilizadas na construção da escala. Elas tornam esses valores matematicamente improváveis, embora ainda sejam possíveis.

No próximo post vamos ver como a TRI estima a habilidade de um aluno com base no comportamento de resposta dele a diversos itens. Quer saber como a nota TRI é calculada? Leia neste post!

Até a próxima!

*Desvio padrão é uma medida de dispersão que mostra o quanto de variação à média existe num conjunto de dados. Para se ter uma idéia do que ele representa, esperamos que 68% dos alunos estejam a menos que 1 (um) desvio padrão da média, ou seja, que a nota deles fique entre 400 e 600. Para (2) duas vezes o desvio padrão, tirando notas entre 300 e 700, esperamos 95% dos alunos. E para (3) três vezes o desvio padrão, ou seja, com notas entre 200 e 800, esperamos 99,7% dos alunos. Por isso é muito difícil vermos pessoas com notas superiores a 800 ou inferiores a 200.

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